Psicologia Infantil e da Adolescência
Ansiedade, irritabilidade e crises emocionais no crescimento
Cuidado psíquico com orientação psicanalítica, com participação dos pais e atenção ao desenvolvimento
A infância e a adolescência são fases de grande transformação. O que, por fora, parece apenas “comportamento”, muitas vezes é a forma possível que a criança ou o adolescente encontrou para expressar medo, insegurança, vergonha, sobrecarga e angústias que ainda não conseguem ser colocadas em palavras. A psicoterapia oferece um espaço ético de escuta para compreender essas manifestações e ajudar a família a construir caminhos mais seguros, sem rótulos apressados e sem promessas irreais de resultado. (Conselho Federal de Psicologia, 2022, p. 2)
Resumo em 30 segundos
Ansiedade e irritabilidade podem ser sinais de sofrimento emocional, sobretudo quando persistem e atrapalham sono, escola, relações e autoestima. (World Health Organization, 2025)
Emoções se organizam dentro das relações: quando o adulto sustenta e dá sentido ao que a criança sente, ela ganha mais recursos para se regular. (Bowlby, 1958, pp. 350–373; Winnicott, 1960, pp. 585–595)
A avaliação inicial não é um “rótulo”: é um processo clínico para entender história, contexto e necessidades, com plano de cuidado. (Conselho Federal de Psicologia, 2022, p. 2)
Psicoterapia psicodinâmica e psicanalítica com crianças e adolescentes tem evidência promissora em revisões do campo, sem cair em promessas universais. (Midgley et al., 2017, pp. 307–329; Midgley et al., 2021)
O que é ansiedade na infância e na adolescência
Ansiedade é uma reação humana diante do novo, do incerto e do desafiador. Em doses proporcionais, ela ajuda a criança a se preparar e se proteger. O problema começa quando a ansiedade domina a rotina, “gruda no corpo”, atrapalha o sono, interfere no brincar, na escola, nas relações e na autoestima. (World Health Organization, 2025)
Na adolescência, a ansiedade pode aparecer de modos menos óbvios. Em vez de “estou ansioso”, pode surgir como irritação constante, isolamento, queda de rendimento, rigidez, perfeccionismo, explosões, somatizações e fuga de situações sociais. Por isso, o trabalho clínico precisa ser cuidadoso: a mesma queixa pode ter origens diferentes. (World Health Organization, 2025)
Por que isso importa hoje
Organizações internacionais destacam que sofrimento psíquico em adolescentes é frequente e tem impacto real na vida diária. Isso não significa “diagnosticar pela internet”. Significa reconhecer que sinais persistentes de sofrimento precisam ser vistos com seriedade e acolhimento, e não confundidos com preguiça, “drama” ou falta de vontade. (World Health Organization, 2025)
O que pode estar por trás de crises, irritabilidade e ansiedade
Uma criança pode ficar agressiva por medo. Um adolescente pode ficar “frio” por vergonha. Um silêncio pode ser proteção. Uma explosão pode ser pedido de ajuda. Em linguagem simples: a emoção tenta encontrar saída.
A clínica do desenvolvimento e a literatura psicanalítica descrevem um ponto central: emoções não se organizam no vazio. Elas se organizam dentro do vínculo. Quando o ambiente oferece presença, previsibilidade e cuidado, a criança tende a ganhar mais recursos internos para se regular. (Bowlby, 1958, pp. 350–373; Winnicott, 1960, pp. 585–595)
Mudanças e transições
Trocas de escola, separações, lutos, nascimento de irmãos, adoção, migrações e mudanças de rotina podem elevar ansiedade e irritabilidade. O ponto não é “evitar mudanças”, e sim ajudar a criança a atravessá-las com suporte emocional e linguagem adequada à idade. (World Health Organization, 2025)
Sobrecarga emocional e pouco descanso psíquico
Exigências altas, pouco sono, excesso de atividades, pouco tempo de brincar e pouca possibilidade de “ser criança” aumentam desorganização emocional. O corpo e o comportamento muitas vezes viram o lugar onde o sofrimento aparece. (World Health Organization, 2025)
Vínculos sob tensão
Quando o ambiente familiar está atravessado por estresse, conflitos, adoecimento, exaustão, insegurança financeira ou ausência de rede de apoio, a criança costuma captar esse clima, mesmo que ninguém diga nada. O vínculo é um “sensor” do ambiente. (Bowlby, 1958, pp. 350–373; Winnicott, 1960, pp. 585–595)
Histórias que entram na criação sem que ninguém perceba
Na clínica pais-bebê e na psicanálise do desenvolvimento, há um fenômeno descrito como a presença de conteúdos do passado que interferem no cuidado no presente. Em termos simples: experiências antigas, às vezes dolorosas, podem “voltar” como excesso de medo, rigidez, desconfiança ou culpa na relação com os filhos. (Fraiberg et al., 1975, pp. 387–421)
Neurodesenvolvimento e desenvolvimento atípico
TDAH, TEA, dificuldades de linguagem e aprendizagem, prematuridade e condições médicas crônicas podem trazer desafios de autorregulação e sofrimento. Nesses casos, é comum a família ficar exausta e insegura. O cuidado ético pede olhar integrado: criança, história, ambiente, escola e, quando necessário, rede multiprofissional. (Conselho Federal de Psicologia, 2022, p. 2)
Telas, sono e regulação emocional
Algumas pesquisas discutem associações entre padrões de uso de mídia digital e indicadores de autorregulação e comportamento em crianças, com efeitos que variam por contexto familiar, rotina, qualidade do sono e função emocional do uso. O ponto clínico não é demonizar telas. É observar dose, horário, conteúdo e impacto no brincar, no sono e no vínculo. (Fitzpatrick et al., 2024, pp. 1035–1040; Radesky et al., 2023, pp. 1179–1187)
Sinais que merecem atenção
Procure avaliação quando houver persistência, intensidade e prejuízo na vida da criança ou do adolescente.
Sinais comuns em crianças
- Medo intenso e frequente
- Crises de choro e desorganização
- Agressividade repetida
- Regressões importantes
- Dores no corpo sem causa médica definida
- Recusa escolar persistente
- Alterações relevantes no sono e alimentação
- Excesso de controle e perfeccionismo que “trava” o brincar
Sinais comuns em adolescentes
- Isolamento e perda de interesse
- Irritabilidade constante e explosões
- Queda importante no desempenho e motivação
- Autoexigência extrema e sensação de inadequação
- Pânico, somatizações
- Uso de substâncias e condutas de risco
- Autolesão ou falas de desesperança
Sinais de urgência
Se houver risco de autoagressão, ideação suicida, violência grave, abuso ou negligência, procure atendimento de urgência e rede de proteção imediatamente. No Brasil, o CVV oferece apoio emocional pelo 188 e por canais oficiais. (Centro de Valorização da Vida, 2026)
O que pais e responsáveis podem fazer desde já
Sem prometer solução rápida, algumas atitudes aumentam segurança emocional e diminuem escaladas de conflito.
Como a psicoterapia psicanalítica pode ajudar
Psicoterapia psicanalítica não se reduz a conselhos rápidos. O foco é compreender sentido, função e origem do sintoma dentro da história, das relações e do momento de vida.
A criança comunica pelo brincar, pelo corpo, pelo comportamento e pelas narrativas espontâneas. O trabalho clínico ajuda a traduzir emoções em linguagem possível e a construir recursos de regulação, junto com ajustes no ambiente familiar. (Winnicott, 1960, pp. 585–595)
O foco costuma incluir identidade, pertencimento, vergonha, ideal de si, relações, corpo, redes sociais, futuro e autonomia. Em vez de rotular, o trabalho busca ampliar consciência emocional e capacidade de escolha, respeitando o tempo do adolescente. (World Health Organization, 2025)
Participação dos pais
Em psicoterapia infantil e em muitas situações da adolescência, o trabalho com pais faz parte do método. Isso não é “culpar pais”. É cuidar do ambiente emocional real onde a criança vive, para que o sintoma não vire a única linguagem possível na casa. (Bowlby, 1958, pp. 350–373; Winnicott, 1960, pp. 585–595)
Um conceito útil aqui é o de mentalização parental. Em termos simples: é a capacidade do adulto de tentar entender o que a criança sente por dentro, sem reduzir tudo a “manipulação” ou “birra”. Isso diminui reações impulsivas e melhora a qualidade do cuidado. (Slade, 2005, pp. 269–281)
O que a pesquisa diz sobre psicoterapia psicodinâmica em crianças e adolescentes
Revisões narrativas e sínteses do campo indicam que intervenções psicodinâmicas e psicanalíticas têm evidências promissoras para diferentes quadros na infância e adolescência, com variação metodológica entre estudos e necessidade de pesquisas contínuas. Em linguagem simples: é uma abordagem com tradição clínica e base empírica crescente, sem cair em promessas universais. (Midgley et al., 2017, pp. 307–329; Midgley et al., 2021)
Diretrizes clínicas também reconhecem a psicoterapia psicodinâmica como uma das possibilidades em contextos específicos na adolescência, considerando indicação, preferência, gravidade e acesso. (National Institute for Health and Care Excellence, 2019)
Como funciona uma avaliação inicial
A avaliação é um processo clínico, não um rótulo. Em geral, inclui:
- conversa com pais ou responsáveis
- escuta da criança ou adolescente
- entendimento de desenvolvimento, rotina, escola e relações
- hipóteses clínicas e plano de cuidado
- quando indicado, encaminhamentos integrados, como pediatria, neurologia, fonoaudiologia, psiquiatria e psicopedagogia
Esse cuidado também segue princípios éticos de competência técnica e comunicação responsável sobre serviços psicológicos, evitando sensacionalismo e previsões taxativas de resultado. (Conselho Federal de Psicologia, 2022, p. 2)
Dúvidas comuns de pais e responsáveis
Quando necessário, diagnóstico pode ser discutido com cuidado e utilidade clínica. O foco é compreender sofrimento e orientar condutas sem reduzir a criança a um rótulo.
Não. Quanto mais cedo um sofrimento é cuidado, menor a chance de ele se cristalizar como padrão rígido.
Nem sempre. Em alguns casos, avaliação médica é indicada. Psicoterapia e cuidado médico podem ser complementares quando necessário.
Cada caso é singular. O tempo depende de objetivos, intensidade do sofrimento, contexto familiar e adesão ao processo. Comunicação ética não promete prazos nem resultados fechados. (Conselho Federal de Psicologia, 2022, p. 2)
As sessões online seguem o mesmo cuidado ético e técnico. Para crianças pequenas, a participação dos pais pode ser mais ativa. A eficácia é reconhecida quando há ambiente adequado e conexão estável. Ideal para quem mora em Cachoeirinha, Gravataí ou qualquer lugar do Brasil.
Meu trabalho clínico
Sou psicólogo, CRP 07/40640, com orientação psicanalítica e foco em desenvolvimento humano. Atendo crianças, adolescentes e famílias, integrando:
- escuta clínica psicanalítica com atenção ao desenvolvimento
- participação dos pais quando indicado
- cuidado com vínculo, rotina e regulação emocional
- atenção a contextos sensíveis como lutos, adoção, prematuridade, parentalidade e desenvolvimento atípico
O objetivo é oferecer um espaço profissional e seguro para que a família compreenda o que está acontecendo e construa alternativas mais saudáveis, com ética e responsabilidade na comunicação do cuidado. (Conselho Federal de Psicologia, 2022, pp. 2–3)
Vamos conversar?
Se você percebe sinais persistentes de ansiedade, irritabilidade, crises emocionais, isolamento ou sofrimento que está afetando a vida do seu filho, buscar uma avaliação pode ser um passo de cuidado. Você não precisa decidir tudo agora. Você só precisa começar com uma conversa.
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Luis Ismael dos Santos
Psicólogo CRP 07/40640
Referências bibliográficas (APA)
- Bowlby, J. (1958). The nature of the child’s tie to his mother. International Journal of Psycho-Analysis, 39, 350–373.
- Centro de Valorização da Vida. (2026). CVV 188 e canais de apoio emocional. https://cvv.org.br
- Conselho Federal de Psicologia. (2022). Nota Técnica nº 1/2022 SOE Plenária: Nota técnica sobre uso profissional das redes sociais: publicidade e cuidados éticos (Processo nº 576600028.000088/2022-46). Link
- Fitzpatrick, C., Pan, Y., Lemieux, V., Harvey, E., Rocha, T., & Garon-Carrier, G. (2024). Early-childhood tablet use and outbursts of anger. JAMA Pediatrics, 178(10), 1035–1040. doi.org/10.1001/jamapediatrics.2024.2511
- Fraiberg, S., Adelson, E., & Shapiro, V. (1975). Ghosts in the nursery: A psychoanalytic approach to the problems of impaired infant-mother relationships. Journal of the American Academy of Child Psychiatry, 14(3), 387–421. doi.org/10.1016/S0002-7138(09)61442-4
- Midgley, N., O’Keeffe, S., French, L., & Kennedy, E. (2017). Psychodynamic psychotherapy for children and adolescents: An updated narrative review of the evidence base. Journal of Child Psychotherapy, 43(3), 307–329. doi.org/10.1080/0075417X.2017.1323946
- Midgley, N., Mortimer, R., Cirasola, A., Batra, P., & Kennedy, E. (2021). The evidence-base for psychodynamic psychotherapy with children and adolescents: A narrative synthesis. Frontiers in Psychology, 12, 662671. doi.org/10.3389/fpsyg.2021.662671
- National Institute for Health and Care Excellence. (2019). Depression in children and young people: Identification and management (NICE Guideline NG134). Link
- Radesky, J. S., Peacock-Chambers, E., Zuckerman, B., & Silverstein, M. (2023). Digital media use patterns and child behavior. JAMA Pediatrics, 177(12), 1179–1187. Link
- Slade, A. (2005). Parental reflective functioning: An introduction. Attachment & Human Development, 7(3), 269–281. doi.org/10.1080/14616730500245906
- Winnicott, D. W. (1960). The theory of the parent–infant relationship. International Journal of Psycho-Analysis, 41, 585–595.
- World Health Organization. (2025, September 1). Adolescent mental health. Link
Meu compromisso ético: sigo o Código de Ética do Psicólogo (CFP, 2005). A confidencialidade e o respeito à sua singularidade são a base de cada encontro.