A psicanálise é uma abordagem clínica que busca compreender o sofrimento psíquico a partir da história de vida, dos afetos, dos vínculos e dos conflitos inconscientes que influenciam a forma como a pessoa pensa, sente e se relaciona. Ela parte da ideia de que nem tudo o que nos faz sofrer é consciente — muitas dores se expressam por sintomas, repetições e impasses que a própria pessoa não consegue explicar sozinha (Freud, 1917/1996; Laplanche & Pontalis, 1967).

Sigmund Freud estabeleceu que o inconsciente é um sistema psíquico com leis próprias, onde conteúdos recalcados continuam a exercer influência sobre a vida consciente.

Em termos simples: a psicanálise ajuda a dar sentido ao que dói, mesmo quando esse sofrimento parece confuso, repetitivo ou sem causa aparente.

Por que a Psicanálise é importante?

Psicanalistas clássicos e contemporâneos mostraram que sintomas como ansiedade, depressão, conflitos nos relacionamentos, dificuldades de autoestima ou sensação de vazio não surgem apenas por "falta de controle" ou "pensamento negativo", mas estão ligados à forma como a pessoa construiu seus vínculos e aprendeu a lidar com o desejo, a perda e a frustração (Klein, 1946; Winnicott, 1960; Birman, 2012).

Wilfred Bion descreveu que, quando emoções não conseguem ser pensadas, elas se transformam em angústia bruta, que invade o corpo ou o comportamento (Bion, 1962).

A psicanálise cria um espaço para pensar o que antes só podia ser sentido, permitindo transformações profundas e duradouras.

Como funciona a terapia psicanalítica?

A terapia psicanalítica acontece por meio da fala e da escuta qualificada. O paciente é convidado a falar livremente sobre sua vida, seus conflitos, sonhos, medos e relações. O analista escuta não apenas o conteúdo, mas também os afetos, repetições e silêncios que aparecem na fala (Freud, 1913/1996).

Esse processo permite que conteúdos inconscientes — ou seja, aspectos da experiência que a pessoa não consegue acessar diretamente — sejam gradualmente compreendidos e elaborados. Na prática, isso ajuda o paciente a sair de padrões repetitivos e a encontrar novas formas de lidar com a própria história (Lacan, 1953/1998).

O que a Psicanálise ajuda a transformar no dia a dia?

A psicanálise não oferece respostas prontas nem receitas de comportamento. Seu efeito aparece de forma progressiva na vida cotidiana, por exemplo:

  • maior clareza sobre os próprios sentimentos
  • redução da angústia e da ansiedade
  • relações mais conscientes e menos repetitivas
  • fortalecimento da identidade e da autoestima
  • maior liberdade para fazer escolhas
Donald Winnicott explicou que o processo analítico ajuda a pessoa a se sentir mais "real", menos submetida a exigências externas ou ideais impossíveis (Winnicott, 1960).

Em linguagem simples: a pessoa passa a viver de forma mais própria e menos automática.

Qual a diferença da Psicanálise para outras terapias?

Do ponto de vista técnico, a principal diferença é que a psicanálise não se limita à eliminação do sintoma, mas busca compreender o sentido do sintoma na história da pessoa (Freud, 1926/1996). Enquanto abordagens mais diretivas focam em estratégias específicas para lidar com comportamentos, a psicanálise investiga por que aquele sofrimento se organiza daquela forma.

Autores contemporâneos como Christian Dunker, Joel Birman e Maria Rita Kehl destacam que a psicanálise se ocupa do sujeito em sua singularidade, evitando reduções simplificadoras do sofrimento humano (Dunker, 2015; Birman, 2012; Kehl, 2009).

Isso não significa oposição à ciência. Significa que a psicanálise trabalha em um nível profundo e estrutural do sofrimento psíquico.

Psicanálise e ciência: uma integração possível

Embora a psicanálise tenha uma lógica clínica própria, ela dialoga historicamente com a psiquiatria, a psicologia do desenvolvimento e as ciências da saúde. Autores como Winnicott, Bowlby e Stern construíram pontes sólidas entre a clínica psicanalítica e pesquisas sobre desenvolvimento humano e vínculos (Bowlby, 1969/1982; Stern, 1995).

Minha atuação é de orientação psicanalítica, integrando continuamente conhecimentos científicos da saúde mental e do desenvolvimento humano. Isso significa oferecer um cuidado profundo, mas também atualizado, ético e responsável.

Para quem a terapia psicanalítica é indicada?

A psicanálise é indicada para pessoas que desejam:

  • compreender melhor seus conflitos emocionais
  • lidar com ansiedade, depressão ou vazio existencial
  • repensar padrões de relacionamento
  • atravessar crises de vida, lutos ou transições
  • desenvolver autoconhecimento de forma profunda

Ela é especialmente indicada quando o sofrimento se repete, mesmo após tentativas de mudança.

O que muda na vida de quem faz Psicanálise?

Com o tempo, o paciente passa a:

  • reconhecer suas próprias repetições
  • entender a origem de seus conflitos
  • sustentar escolhas mais conscientes
  • lidar melhor com perdas e frustrações
  • construir uma relação mais ética consigo mesmo
Como dizia Contardo Calligaris, a análise não promete felicidade, mas oferece mais liberdade frente ao próprio desejo (Calligaris, 2004).

Meu trabalho clínico

Sou um profissional de orientação psicanalítica, com atuação clínica integrada às ciências da saúde. Trabalho a partir da escuta psicanalítica, articulando teoria clássica e contemporânea, e mantendo diálogo permanente com a pesquisa em saúde mental e desenvolvimento humano.

O objetivo do processo terapêutico é ajudar você a compreender seu sofrimento, e não apenas silenciá-lo.

Por que começar agora?

  • Porque o sofrimento não precisa ser adiado.
  • Porque repetir padrões cansa.
  • Porque compreender a própria história transforma o presente.

A psicanálise é um convite à escuta de si mesmo, com acompanhamento profissional.

Vamos conversar?

Se este texto fez sentido para você, talvez este seja o momento de iniciar um processo terapêutico.